Santo Antônio
Para seguir a ordem cronológica das festas, pode-se começar por
Santo Antônio.
Ele nasceu em Lisboa, em data incerta, entre 1190 e 1195. Seu nome de
batismo era Fernando. Pertencia a uma família de posses, chamada Bulhão
ou Bulhões. No entanto, abdicou da riqueza por volta de 1210,
ingressando na ordem dos franciscanos.
Seguiu para o atual Marrocos para desenvolver trabalho missionário, mas
sua saúde não se adaptou ao clima africano. Adoeceu e regressou à
Europa, fixando-se na Itália. Lá, demonstrou grande talento para a
oratória, o qual desenvolveu praticando ao máximo durante nove anos.
Possuía grande conhecimento da Bíblia e seus sermões impressionavam
tanto os intelectuais quanto as pessoas simples. Alguns de seus escritos
foram conservados e são conhecidos ainda hoje. Seu carisma conquistava
multidões. A saúde, porém, continuava frágil e ele morreu com cerca de
35 anos, em 13 de junho de 1231, sendo canonizado no ano seguinte. Está
enterrado em Pádua (Itália) e sobre seu túmulo ergueu-se uma basílica,
que é lugar de grande peregrinação.
Apesar de não ter em seus sermões nada específico sobre casamentos,
Santo Antônio ficou conhecido como o santo que ajuda mulheres a
encontrarem um marido por conta da ajuda que dava a moças humildes para
conseguirem um dote e um enxoval para o casamento.
Reza a lenda que, certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família
não podia pagar seu dote para se casar. Desesperada, a jovem – ajoelhada
aos pés da imagem de Santo Antônio – pediu com fé a ajuda do Santo que,
milagrosamente, lhe entregou um bilhete e disse para procurar um
determinado comerciante. O bilhete dizia que o comerciante desse à moça
moedas de prata equivalentes ao peso do papel. Obviamente, o homem não
se importou, achando que o peso daquele bilhete era insignificante. Mas,
para sua surpresa, foram necessários 400 escudos da prata para que a
balança atingisse o equilíbrio. Nesse momento, o comerciante se lembrou
que outrora havia prometido 400 escudos de prata ao Santo, e nunca havia
cumprido a promessa. Santo Antônio haviera fazer a cobrança daquele
modo maravilhoso. A jovem moça pôde, assim, casar-se de acordo com o
costume da época e, a partir daí, Santo Antônio recebeu – entre outras
atribuições – a de “O Santo Casamenteiro”.
Outra história que envolve a fama de Santo Antônio é a de que uma
moça muito bonita, que havia perdido as esperanças de arranjar um
marido, apegou-se a Santo Antônio. Dizem que a mulher adquiriu uma
imagem do santo e colocou-a em um pequeno oratório. Todos os dias, a
jovem colhia flores e as oferecia a Santo Antônio sempre pedindo que
este lhe trouxesse um marido.
Mas, passaram-se semanas, meses, anos… e nada do noivo aparecer.
Então, tomada pelo desgosto e pela ingratidão do santo, ela atira a imagem pela janela. Neste
exato momento, passava um jovem cavalheiro que é atingido pela imagem
do Santo. Ele apanha a imagem e vai entregar à jovem, que se apaixona
por ele e atribui a sua chegada a fé por Santo Antônio.
A partir daí, as moças solteiras que querem casar começaram a fazer
orações pedindo ajuda ao santo e cultuando sua imagem. Entre as
simpatias mais populares, acredita-se que as jovens devem comprar uma
pequena imagem do Santo e tirar o Menino Jesus do colo, dizendo que só o
devolverá quando conseguir encontrar o amor, ou ainda, virar o Santo
Antônio de cabeça para baixo.